"Mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo/ seria uma rima,/ não seria uma solução./ Mundo mundo vasto mundo,/ mais vasto é meu coração" (Drummond)

Mundo Vasto Mundo: é o substrato de qualquer tentativa lírica que me lanço. E também em homenagem ao maior dos poetas. Eu sou Catarina, mas como é sempre bom um sobrenome: Catarina Bussinger . Bem-vindo(a).

Ao conserto do mundo

Vivo tentando encontrar um sentido para esse mundo.
Mundo mundano, feito de vidro.
Intacto aos apelos do homem.
Vidro frágil às riquezas do homem.

Sobrevivo tentando encontrar um sentido para esse homem.
Homem humano, feito de alma.
Intacta ao consentimento.
Alma frágil ao sentimento.

Que se apele, em todas as línguas,
o quebrar do vidro,
o remendo da alma.

Que se implore aos homens,
a igual facilidade em fazer guerras à paz
rumo ao conserto do mundo.

(Catarina Bussinger)

| 08/09/2014, um pouco antes do meio dia | 
Esse simpático senhor na foto se chama Modesto da Silveira. Ele foi advogado de presos políticos naqueles tempos obscuros que começaram em 1964. É uma figura extraordinária, a qual o maior número de brasileiros possível deveria conhecer e ouvir. Meu pai é um fã em particular e sempre me conta, saudoso, do dia que ainda estudante ouviu o Modesto falar. 
Essa foto foi tirada na casa dele, quando eu e minha mãe passamos para entregar uma coisa a pedido do meu pai. Ele não sabia que aquele dia era meu aniversário, mas me deu o grande presente de ouvir um pouco das suas histórias. E o quanto de mundo esse homem já não viu e viveu… Modesto da Silveira é história viva e seus relatos e pensamentos nos fazem lembrar de que estamos e devemos estar aqui por um motivo, por uma causa… A dele foi uma das mais lindas e corajosas em anos tão tristes e opressores. 
Merece todas as homenagens e admiração. E aqui está a minha, singelamente posta com a lembrança que sempre vou guardar de que, quando fiz 20 anos, ele abriu a janela de sua casa para me mostrar um pouco do mundo.

| 08/09/2014, um pouco antes do meio dia |
Esse simpático senhor na foto se chama Modesto da Silveira. Ele foi advogado de presos políticos naqueles tempos obscuros que começaram em 1964. É uma figura extraordinária, a qual o maior número de brasileiros possível deveria conhecer e ouvir. Meu pai é um fã em particular e sempre me conta, saudoso, do dia que ainda estudante ouviu o Modesto falar.
Essa foto foi tirada na casa dele, quando eu e minha mãe passamos para entregar uma coisa a pedido do meu pai. Ele não sabia que aquele dia era meu aniversário, mas me deu o grande presente de ouvir um pouco das suas histórias. E o quanto de mundo esse homem já não viu e viveu… Modesto da Silveira é história viva e seus relatos e pensamentos nos fazem lembrar de que estamos e devemos estar aqui por um motivo, por uma causa… A dele foi uma das mais lindas e corajosas em anos tão tristes e opressores.
Merece todas as homenagens e admiração. E aqui está a minha, singelamente posta com a lembrança que sempre vou guardar de que, quando fiz 20 anos, ele abriu a janela de sua casa para me mostrar um pouco do mundo.

Minha tentativa de um poema concretista. Não sei se consegui alcançar, mas foi uma experiência legal tentar. No fundo, eu gostei. E por isso resolvi guardar aqui. Guarda alguma conexão com a fotografia de Arembepe.

Minha tentativa de um poema concretista. Não sei se consegui alcançar, mas foi uma experiência legal tentar. No fundo, eu gostei. E por isso resolvi guardar aqui. Guarda alguma conexão com a fotografia de Arembepe.

Canto dos poetas

Mar Azul - Ferreira Gullar

mar azul 

mar azul      marco azul 

mar azul      marco azul      barco azul 

mar azul      marco azul      barco azul      arco azul 

mar azul      marco azul      barco azul      arco azul      ar azul

 

Bahia fora do eixo: além de Salvador/Praia do Forte 
Arembepe 
(créditos na foto)

Bahia fora do eixo: além de Salvador/Praia do Forte
Arembepe
(créditos na foto)

(Fonte: 3rdeyechicago, via f-o-t-o-s)

(Fonte: dianostalgico, via f-o-t-o-s)

Canto dos poetas

Separação - Vinicius de Moraes

Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles. 

Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação. 

Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce. 

Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas. 

De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde…

Paixão de estaçãoO moço esbarrou na moça na entrada do metrô. (-Desculpa!- Não foi nada!- Qual o seu nome?- Ana. -João. -Oi, João. -Quer tomar um café qualquer dia desses? Podemos conversar e quem sabe nos beijar… Puxa! Como você é linda! Acho que me apaixonei só de te ver! Acho que quero casar com você!)A moça desceu naquela mesma estação e o moço não teve chance nem de pedir desculpas.
(Catarina Bussinger)

Paixão de estação
O moço esbarrou na moça na entrada do metrô.
(-Desculpa!
- Não foi nada!
- Qual o seu nome?
- Ana.
-João.
-Oi, João.
-Quer tomar um café qualquer dia desses? Podemos conversar e quem sabe nos beijar… Puxa! Como você é linda! Acho que me apaixonei só de te ver! Acho que quero casar com você!)
A moça desceu naquela mesma estação e o moço não teve chance nem de pedir desculpas.

(Catarina Bussinger)

(Fonte: nyc-subway)

Entre alguns silêncios alternados e alguns olhares mal disfarçados, há amores meio sem saber como se falar.

Entre alguns silêncios alternados e alguns olhares mal disfarçados, há amores meio sem saber como se falar.

(Fonte: floriicultura, via floriicultura)